terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Poética ( II ) - Vinícius de Moraes

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva

Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa

Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara

Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus! 

( Rio 1960 )

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