segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

POEMA NUA

Seus malabarismos mágicos manipulam marionetes,
Meninas, mães, madres, marquesas e ministras,
Madalenas ou Marias,
Marinas ou Madonas,
Elas são manhãs ou madrugadas,
Mártires e Massacradas,
Mas sempre maravilhosas, essas moças melindrosas,
Mergulham em mares e madrepérolas, em margaridas e miosóris,
E são marinheiras e magníficas,
Mimam mascotes,
Multiplicam memórias e milhares de momentos,
Marcam suas mudanças,
Momentâneas ou milenares, mudas ou murmurantes,
Multicoloridas ou monocromáticas, megalomaníacas ou modestas,
Musculosas, maliciosas, maquiadoras, maquinistas,
Manicures, maiores, menores, madrastas, madrinhas, manhosas, maduras, molecas,
Melodiosas, modernas, magrinhas,
São músicas, misturas, mármore e minério,
Merece em mundos e não migalhas,
Merecem medalhas,
São momentos em movimento, esses milhões de mulheres
Maiúsculas

(

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Feliz Natal e Próspero 2012


Poética ( II ) - Vinícius de Moraes

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva

Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa

Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara

Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus! 

( Rio 1960 )

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

NO FUNDO AZUL

Deitado em ventre de serpente
Espero por um pouco de compreensão
Mas o medo de mim
Me afasta da solução.
E sempre esperando ajuda
E ninguém aparece
Nem perguntam se estou bem.
A solidão me faz companhia
Não tenho vocação pra ser doente
Sou severo com meus amores
A solidão me leva ao errado
Nada do que eu gosto
Nada do que é certo
Nada do que eu aprendi
Vai irrigar o meu interno deserto.
Quando os dias são sempre os mesmos
O marasmo de um banheiro vazio
Se transforma num registro de pecados
E não há mais como pedir ajuda,
Pois você já está sentado num canto de parede
Sangrando, sangrando...

domingo, 18 de dezembro de 2011

CARPEM DIEM II

Hoje eu acordei tarde demais
Tarde demais pra dar bom-dia ao sol
Tarde demais pra ver o mundo em paz
Mais isso não tem nada de mal nem demais.

Aqui eu vivo a olhar
Tudo que se passa na nossa TV
E procuro uma explicação para entender
Porque a morte é a melhor notícia
Porque a gente tem tanta preguiça
De viver! De viver!

Já é cedo demais para achar
Que já é tarde demais pra lutar
Contra esta forma de comandar
Já que estão matando o meu coração.
O meu coração...

Agora eu já sei o que você faz
O que você faz comigo e com sua vida
O que você tem vendido em troca de amor
E isso te traz uma dor já há tanto esquecida.

Assim eu vivo por viver
Sou escravo livre que lê
Procurando uma explicação para entender
Porque a gente parece nazista
Porque a gente sempre critica
Sem saber! Sem saber!

Já é cedo demais para achar
Que já é tarde demais pra lutar
Contra esta forma de comandar
Já que estão matando o meu coração.
O meu coração...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

ON/OFF

Andando sobre espinhos feri meus pés
Sou o que tens contra tudo que és
Tenho passe livre para vagar entre os vândalos
Sei muito do que não me interessa
Não tente entender meus escândalos
Não estou nem aí, nem aqui, nem nessa
Não estou em lugar nenhum
Sou apenas um cara comum.

Meu pé de abacateiro
Me faço tua sentinela o dia inteiro
Sempre tanto ser verdadeiro
Mas nem sempre a verdade convém
Pois ela pode machucar um outro alguém.

Temos que escolher em seguir
A luz divina
Ou a luz de néon.
Sobre o mundo estou em off
Sobre a moda estou em on.

Todo dia contamos a história da rotina de nossas vidas
Mas quando terminamos percebemos que ninguém nos escutou,
Então cuide para que as palavras não sejam perdidas,
Pois quando pensares que a história está começando ela já acabou.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Madonna

Num mundo frio e vazio onde é que está?
Aonde posso ir procurar?
Cheios de violência das mãos urbanas, o que somos?
O que seremos ou o que nós já fomos?

Entre os discos e canções do teu quarto

Esperamos o sol da verdade aparecer
Para que eu possa dizer que te amo
E que te guardo neste retrato.

Neste teu mundo sutil de descobertas

Teus medos sem esperanças
São teus amigos sem lembranças
E nas mãos só resta um só
A herança dos narcóticos e do pó.

Dizem que és apenas uma menina

Deitada sobre suas vontades e manias
Nunca ouve ninguém, não vê graça
Nunca se dá bem em nada que faça.

Tem hora que quero sumir com você

Tem hora quero assumir que errei
Tem hora que as horas passam sem me ver
E às vezes quero ser alguém que nunca serei.

Já com o teu violão ela chorou

E tocou a mais bela canção de amor
E no fim ao menos desta vez
Houve para todos nós um final feliz.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Outubro

Quadros da minha vida
Janelas das minhas emoções
Pense em alguma brincadeira divertida
Assim como o viver de novas paixões.

A paisagem que vemos

Não é a mesma que guardamos
A idade é adulterada
Mas nós nem nos importamos.

No caule do que nos dispomos a viver

Acontece quase sem se saber
O que é inevitável acontecer:
Envelhecer.

A bebida desce suave

O pôr-do-sol ilumina o olhar
A mão acaricia o coração
E a vida tende a continuar.

Quando me olho no espelho

Vejo o que acredito ser eu:
O habitante da minha mente
Não olho bem, não vejo quem
Eu sou realmente.

Posso não compreender tudo

Mas preciso aceitar e viver melhor
Mesmo que quase nada faça sentido,
Pois sei que o mundo não gira ao meu redor.

(MCN:CJJPP-XFAG3-44M5F)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Nosso Modelo

Fechamos os olhos para não ver essa miséria
Não ver nunca a realidade
Então chegará o dia
Em que não poderemos mais abrir os olhos
E estaremos realmente cegos
E seremos mortos como presas fáceis
Pois na escuridão
Não saberemos onde se refugiar do mal.

Não me mostre a realidade

Quero sonhar um pouco
Não seja tão realista
Só seja realmente sincero.

Esse é o nosso modelo invencível

Esse é o nosso modelo para o futuro
Perfeito, modelado e sem nenhum furo
Sejamos um pouco mais que espectadores do incrível.

A Canção dos Amantes

É mais que sua beleza
É mais que meu mero interesse,
Pois com certeza
Nunca mais encontrarei um amor desse.

De tanto viver errado

Tua alma pura e sem pecado
Me enche os olhos de brilho
E imagino a beleza de termos um filho.

Quando te vejo

Vejo tudo que é bom
E na esperança de um beijo
Minha voz muda de tom
Se torna mais suave
Te levando a beleza de uma ave
Que canta ao amanhecer do dia
A mais bela melodia
Dos amantes desta sinfonia.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ACÓRDÃO DE POUCOS

A justiça não é mais justa
A verdade é que ela se ajusta
Aos interesses de poucos.

Me tomaram tudo das minhas mãos
E entregaram aos ditos irmãos,
Sendo que os verdadeiros são poucos.

Dividiram a força do povo
Lotearam todo o poder de novo
Para um sistema de poucos.

O direito natural de ser um ser humano
Está subjugado ao tribunal de um tirano
Que favorece a poucos.

Tantos acordos por baixo do pano
Nos mostra como o mundo dos adultos é insano
E o acórdão é de poucos.

Covardes que se escondem atrás da lei
São poderosos que acreditam ser um rei
E o reino é de poucos.

PALAVRAS

As palavras que digo
Às vezes as repito,
Porém é melhor repetir
Do que nunca ter dito.

A palavra que escrevo
Não traduz a realidade,
Não me atrevo.

Cada um lê com o seu olhar:
Manso, caldo, crítico ou preocupado
Consciente, analfabeto ou alienado.

Palavras regidas pelo contexto
Um contexto preso pelas palavras
Quem manipula as entrelinhas
Abre e fecha todas as suas travas.

Não há palavras sem sentimentos,
Pois sempre tivemos bons momentos:
Cartas de amor, de saudades, de amigo
Guardo-as como se fosse um beijo, um abraço ou um abrigo.