Estou me perdendo aqui por perto
O tempo está cedendo à dor
O tempo dura o tempo certo
O que importa no fim é o quê se passou.
Estou vivendo, de fato estou
Mas não sei quem de fato sou.
Um bloco indivisível?
Ou um retalho incompreensível?
Há uma crise? Ou há um deslize?
Mesmo o que eu não entendo
Acontece aqui no centro.
Mesmo que eu te mostre
Sei que você não está vendo.
Somos uma religião condenada
Somos sombras solitárias
Vagando à incerta sala esquecida
Onde a entrevista é uma volta diária
Às lembranças, que por enquanto podem
relembrar,
Às esperanças que por certo irão cessar.
(Jayr Alencar Lima)
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